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Como saber se seus corretores estão atendendo bem

A amostra de conversas que chega até você é a amostra dos erros barulhentos. O erro caro é mudo.

Sua imobiliária teve centenas de conversas no WhatsApp no mês passado e você leu, com atenção, umas cinco. Provavelmente as cinco em que alguém reclamou.

O problema inteiro cabe nessa frase. O que chega até você é a amostra dos erros barulhentos, e o erro que mais custa dinheiro numa imobiliária não faz barulho nenhum.

O erro que não deixa rastro

Uma resposta grosseira vira reclamação. Uma informação errada vira correção. Os dois deixam rastro, e por isso os dois são exatamente os que você conhece.

Agora pense na conversa que foi educada do começo ao fim, respondeu tudo o que perguntaram, e terminou sem ninguém propor uma visita. Não teve grosseria. Não teve erro factual. Não teve venda.

O pedido que nunca foi feito não aparece em lugar nenhum. Não vira reclamação, não vira ocorrência, não vira nada. Some junto com o lead, e o funil registra "não teve interesse".

O que apareceu quando eu medi o meu próprio atendimento

Antes de propor régua para atendimento humano, apliquei a régua no atendimento automático da Imob8. Foram 182 conversas de produção, lidas uma a uma. O resultado:

Nenhuma dessas conversas foi rude. Todas foram educadas. E as quatro falhas são a mesma falha: o atendimento respondeu e não pediu.

Se isso aconteceu num sistema que faz a mesma coisa toda vez e nunca cansa, imagine a variação entre um corretor descansado na terça de manhã e o mesmo corretor na sexta às 18h.

As quatro perguntas que viram quatro números

"Fulano atende bem?" é uma pergunta impossível de responder em escala, porque é opinião. Troque por quatro perguntas de sim ou não, uma por conversa:

A vantagem dessas quatro é que elas são contáveis por qualquer pessoa, inclusive por alguém que não entende de imóvel. É isso que torna a medição possível sem você ler nada.

Como fazer isso na segunda-feira, sem sistema nenhum

Trinta conversas dão trabalho de uma tarde e valem mais que a impressão acumulada de um ano inteiro.

O que não medir

A armadilha: todo número medido vira número perseguido

Vale saber disso antes de anunciar a régua para a equipe.

Se você avisar que mede convite para reunião, na semana seguinte praticamente toda conversa vai ter convite, no primeiro minuto, para todo mundo. O número sobe, a agenda enche, e o comparecimento despenca.

Por isso meça sempre em par: convite e comparecimento, qualificação e visita realizada, visita e proposta. Número sozinho vira meta, e meta sozinha vira teatro.

O que a automação resolve aqui, e o que não

Resolve a parte chata: registrar cada conversa, marcar se houve proposta de próximo passo, contar quantos perguntaram preço e quantos receberam número, mostrar a fila de cada corretor. Isso deixa de depender de alguém anotar.

Não resolve a parte difícil. Saber que um corretor nunca pede visita não faz ele pedir. O relatório mostra o problema; quem tem a conversa desconfortável é você. Sem essa conversa, medir só produz um painel bonito com o mesmo resultado de antes.

Perguntas frequentes

Como avaliar a qualidade do atendimento dos corretores sem ler todas as conversas?

Sorteie 30 conversas do último mês e responda quatro perguntas de sim ou não em cada uma: alguém propôs o próximo passo com dia e hora, a pergunta do cliente foi respondida com o dado pedido, os critérios de busca foram coletados, e quem parou de responder recebeu retorno. São perguntas binárias, contáveis por qualquer pessoa, e transformam centenas de conversas em quatro números comparáveis por corretor.

Qual é o erro de atendimento mais caro numa imobiliária?

O convite que nunca foi feito. Grosseria vira reclamação e informação errada vira correção, então os dois chegam até o dono. A conversa educada que responde tudo e termina sem propor visita não gera queixa nenhuma e some sem rastro. Numa auditoria de 182 conversas de produção do atendimento automático da Imob8, 46% nunca receberam convite para reunião e 74% de quem perguntou preço não recebeu valor nenhum.

Tempo de resposta é uma boa métrica de qualidade de atendimento?

É um piso, não uma medida de qualidade. Depois que o tempo de primeira resposta está resolvido, ele para de explicar resultado: responder em 30 segundos sem informar preço e sem propor visita é rápido e inútil. Volume de mensagens e pesquisa de satisfação também enganam, porque conversa longa costuma ser o cliente repetindo a pergunta e quem sumiu nunca responde pesquisa.